RECREAÇÃO E PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

Atualizado: Ago 12



Desde 2004 venho trabalhando com recreação nas mais diversas áreas de atuação do recreador. Algumas áreas que ainda não trabalhei foi com Recreação em Navios e em Acampamento nos EUA.


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Minha ideia sempre foi vivenciar todas as áreas possíveis para realmente saber qual eu melhor me adaptaria.


Trabalhei 6 meses com recreação para pessoas com necessidades especiais em uma instituição. Confesso que foi uma experiência maravilhosa. Porém, hoje eu tenho convicção que não é uma das áreas ao qual eu dedicaria a vida para trabalhar.


Você precisa vivenciar a maioria, se não todas, as áreas de atuação do recreador possíveis, para poder escolher e se tornar autoridade em uma delas.


Conheço várias pessoas, inclusive grandes amigos que trabalham com recreação e pessoas com necessidades especiais e ministram curso sobre essa área. Eles tem um potencial teórico e prático gigantesco sobre o assunto.


ATIVIDADES RECREATIVAS QUE INCLUAM PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Não é conveniente falar em "atividades recreativas para a pessoa com deficiência", não apenas porque existem diferentes tipos de deficiência (mental, física e sensorial) e diversos níveis de envolvimento, mas porque as pessoas são diferentes! É preferível falar em "atividades de recreação que incluam a pessoa com deficiência", ou seja, que permitam a sua efetiva participação, pois as atividades de recreação também são as mesmas; o que muda são as condições nas quais essas atividades chegam até a criança com deficiência (MUNSTER, 2010).


O que deve variar são as estratégias e a metodologia de ensino voltadas às necessidades de cada indivíduo, sendo necessárias algumas adaptações que tornem possível a inclusão e o efetivo envolvimento da pessoa com deficiência nas atividades propostas (MUNSTER, 2010).


Dessa forma, se o profissional atuante deseja propor uma atividade de pintura ao seu grupo, e entre as crianças existe uma que apresenta deficiência motora, a qual, aparentemente, a impede de realizar essa atividade, devem ser utilizadas estratégias de apoio, para tornar essa atividade acessível a ela também. Nesse caso, se a criança não consegue se juntar às demais no chão, basta convidar todas elas a sentarem-se numa grande mesa (MUNSTER, 2010).


Talvez, em vez de uma folha de papel sulfite, o recreador possa oferecer a ela um papel maior e mais grosso (como a cartolina). Fixar essa cartolina sobre a mesa, com o uso de fita adesiva, pode auxiliar bastante a quem não pode contar com o auxílio total das mãos. Pode ser que o profissional precise oferecer um pincel mais grosso à referida criança, pois, assim, sua preensão se torna mais fácil, ou, ainda, que seja necessário fixar o pincel à mão da criança envolvendo-a com uma faixa. Ou, quem sabe, essa criança prefira segurar o pincel com a boca e os dentes... Como se pode perceber, embora simples, tais adaptações permitem a participação da criança e, por isso mesmo, fazem a diferença! (MUNSTER, 2010).


Ou se o recreador deseja propor uma atividade de voleibol e entre os participantes existe um cadeirante, e que aparentemente, o impede de realizar essa atividade. O que fazer? Deve-se utilizar estratégias de apoio para tornar essa atividade acessível a ele também. Nesse caso, o participante não consegue ficar em pé com os demais, logo basta convidar todos para sentarem no chão, baixar a rede de vôlei, pegar uma bola mais leve e o jogo se desenvolve.


Não existe uma "bula" para a indicação ou prescrição das atividades recreativas para pessoas com essa ou aquela deficiência. O que temos é um processo contínuo de descobertas, por meio de tentativas e aprimoramento, de qual será a melhor forma de orientação para a atividade, quais serão as adaptações necessárias com relação ao material e/ou espaço físico, ou se a mudança de regras, de alguma forma, pode colaborar no sentido de garantir o envolvimento dessa criança nas atividades de recreação. Estas são algumas etapas do processo de adaptação de atividades de recreação às necessidades e interesses da pessoa com deficiência (MUNSTER, 2010).




CUIDADOS E ADAPTAÇÕES METODOLÓGICAS

Alguns cuidados e dicas gerais podem contribuir para o bom andamento do programa, tais como: incentivar a autonomia e independência da pessoa com deficiência, evitando superproteção; posicionar os participantes com maior e menor nível de comprometimento intercaladamente durante a realização das atividades; oferecer quantas chances forem necessárias; elogiar as tentativas que realmente expressam o esforço do aluno (MUNSTER, 2010).


Abaixo apresento algumas dicas de trabalho com recreação para pessoas com necessidades especiais:


MATERIAIS DE APOIO


BRINCADEIRAS INCLUSIVAS

Vôlei sentado: a modalidade foi flexibilizada com o uso de uma bola diferente e a criação de novas regras. Foi observada a necessidade de repetir o jogo mais vezes para que dois alunos com Transtorno do Espectro Autista se acostumassem com a participação (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Futebol de pano: o objetivo era conduzir a bola até o gol adversário, balançando um grande tecido de TNT com marcações de um campo de futebol feitas com fita adesiva. Se a bola saísse da “quadra”, era colocada de volta, sem penalização. A atividade foi executada em várias versões: na primeira, todos jogaram sentados no chão. Como algumas das crianças em cadeiras de rodas tiveram dificuldade para se manterem eretas, passamos a realizar as partidas com todos sentados em cadeiras. Nas turmas em que não havia alunos cadeirantes, o jogo foi feito em pé. Confeccionamos alças para os jogadores que tiveram dificuldade em segurar o pano e realizamos testes com diferentes tipos de bola até encontrar a mais adequada (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Slacklin: a brincadeira nasceu da parceria com a família, já que o equipamento próprio do esporte foi doado por uma mãe. Nossa intenção inicial era desenvolver o equilíbrio, mas, a partir da prática, descobrimos que outras habilidades e valores (como coragem, confiança, autoestima, autonomia e solidariedade) poderiam ser trabalhados. Na atividade, cada extremidade da fita foi presa a uma árvore do pátio da escola, a poucos centímetros do chão. Acima da altura da cabeça, instalamos uma corda. Foram criadas três modalidades. No slackline solidário, os estudantes fizeram a travessia segurando-se nas mãos de colegas. Na versão sem apoio, o único suporte era a corda acima da cabeça. Por fim, as crianças encararam o desafio com os olhos vendados, contando com apoio dos amigos (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Jogo de passes: em duplas, os jogadores ficaram de frente um para o outro e trocaram passes deslocando-se para frente e para trás, de costas. Essa atividade foi bastante interessante. É frequente nas aulas de educação física que muitos alunos demonstrem medo de pegar uma bola lançada a eles. Porém, em equipe, entrou em jogo a valorização e responsabilidade para com o outro, o que fez com que eles superassem esse receio (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Pique sensorial: com todos vendados, um jogador “pegador” deveria encontrar os demais, orientando-se pelo barulho produzido pelos guizos que foram distribuídos para os estudantes em pulseiras. A brincadeira fez com que todos experimentassem a sensação de, sem a visão, usar outros sentidos pouco requeridos em atividades motoras. Crianças como a Vitória e o Davi – que têm Síndrome de Down e autismo, respectivamente – participaram com muita alegria. O garoto não conseguiu ficar com os olhos vendados por muito tempo, mas fez questão de brincar, utilizando a venda na testa (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Corrida sensitiva: em duplas, os alunos realizaram uma corrida com estafeta: um com os olhos vendados e o outro como guia. Depois, os papéis eram invertidos. O objetivo era estabelecer relações de confiança, segurança, respeito e responsabilidade. Em um primeiro momento, o caráter competitivo da atividade nos atrapalhou, uma vez que os alunos que conduziam, na ânsia de ganhar, correram sem se preocupar com as limitações dos parceiros. Depois de uma breve interrupção para reflexão, eles perceberam que o equilíbrio do time era fundamental para o sucesso da ação e, então, adequaram a velocidade. Joubert, um de nossos estudantes com TEA, demonstrou vontade de participar junto dos colegas, o que era raro. Mesmo com dificuldades motoras para correr e insegurança para ficar vendado, ele participou o tempo todo da brincadeira nos dois papéis (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Reaction ball: ou jogo da reação, foi praticado com uma bola diferenciada, que quica de maneira irregular e muda bruscamente de direção, por dois times de seis crianças cada. Os jogadores deveriam lançar a bola para o campo adversário. Do outro lado, os alunos só poderiam pegá-la depois que quicasse uma vez no chão. Dependendo das características do grupo, a quadra foi dividida por uma rede baixa, como no tênis, ou alta, como no vôlei. A proposta era desenvolver habilidades de deslocamento e atenção. Eduardo, outro aluno com autismo, que antes evitava estar em destaque nas aulas, foi o responsável por sugerir boa parte das regras e orientou seu time nas discussões e execução da atividade (SOUZA, SOUZA, ARAÚJO, 2017). CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO


Se essa for sua área de atuação. Maravilha. Seja o melhor nessa área. Seja referência nessa área. Seja autoridade nessa área.


Hoje me dedico a auxiliar e formar recreadores de sucesso. A experiência com recreação em pessoas com necessidades especiais, como as tantas outras, me faz ter bagagem suficiente para desenvolver com qualidade a minha função de formador de recreadores.



EBOOK

Jogos e Dinâmicas de Grupo: pessoa com deficiência da União dos Escoteiros do Brasil. Clique aqui para baixar.



VÍDEO

Vídeo do CONRECRE sobre Recreação para Pessoas com Deficiência do meu amigo professor Ivan Santos da Especiales.

Clique aqui para conhecer o site do professor Ivan Santos.



DICAS DE FILMES COM PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

DEFICIÊNCIA FÍSICA

1. Ferrugem e Osso

2. Espíritos Indômitos

3. Amargo Regresso

4. Carne trêmula

5. Feliz ano velho

6. Nascido em 4 de Julho

7. O óleo de Lorenzo

8. O Homem Elefante

9. The Other Side of the Mountain – Uma janela para o céu (Parte 1 e 2)

10. Dr. Fantástico

11. Johnny vai à guerra

12. Meu pé esquerdo

13. Inside I’m Dancing

14. The Best Years of Our Lives

15. Mar Adentro

16. Murderball

17. As sessõoes

18. Intocáveis

19. Gabi, uma história verdadeira.


DEFICIÊNCIA AUDITIVA

1. A música e o silêncio

2. Filhos do silêncio (Children of a lesser God, 1986)

3. Adorável professor (Mr.Holland’s opus)

4. O piano

5. O país dos surdos

6. The Dancer

7. Black

8. O filme surdo de Beethoven

9. O segredo de Beethoven

10. Los amigos

11. Querido Frankie

12. Tortura silenciosa

13. And Now Tomorrow

14. Cop Land

15. And Your Name Is Jonah

16. Sweet nothing in my ear

17. Personal Effects


DEFICIÊNCIA INTELECTUAL/COGNITIVA

1. City Down

2. Forrest Gump, o contador de histórias

3. Gaby, uma história verdadeira

4. Gilbert Grape – Aprendiz de sonhador

5. Meu filho, meu mundo

6. Benny & Joon: Corações em conflito

7. Dominick and Eugene (Nicky and Gino)

8. O Enigma de Kaspar Hauser

9. O guardião de memórias

10. O oitavo dia

11. Simples como amar

12. Uma lição de amor

13. Shine – Brilhante

14. Mozart and the Whale (Loucos de amor) (en)

15. O óleo de Lorenzo

16. Eu me chamo Elisabeth

17. Inside I’m Dancing (en)

18. Meu nome é Radio

19. O Primeiro da Classe (Front of the class / Síndrome de Tourette)


DEFICIÊNCIA VISUAL

1. O Sino de Anya

2. Além dos meus olhos

3. Perfume de mulher

4. À primeira vista

5. Dançando no escuro

6. Demolidor

7. Castelos de gelo

8. Ray

9. Quando só o coração vê

10. Um clarão nas trevas

11. Jennifer 8 – A próxima vítima

12. La symphonie pastorale

13. Vermelho como o céu

14. Eu Não Quero Voltar Sozinho


DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA

1. Amy

2. O Escafandro e a Borboleta

3. Helen Keller and Her Teacher

4. O milagre de Anne Sullivan (br) / O milagre de Helen Keller (pt)

5. The Unconquered (Helen Keller in Her Story)

6. Cegos, surdos e loucos

7. Sob suspeita

8. Uma lição de amor

9. Experimentando a vida

10. Black

11. Borboletas de Zagorsk


AUTISMO

1. Meu amargo pesadelo

2. Meu filho, meu mundo

3. O garoto que podia voar

4. Rain man

5. Gilbert Grape: aprendiz de sonhador

6. Retratos de família

7. Testemunha do silêncio

8. Prisioneiro do silêncio

9. A sombra do piano

10. A lenda do pianista do mar

11. Código para o inferno

12. Ressurreição

13. Experimentando a vida

14. Uma viagem inesperada

15. Loucos de amor

16. Um certo olhar

17. Um amigo inesperado

18. O nome dela é Sabine

19. Ben X: a fase final

20. Autismo: o musical

21. Sei que vou te amar

22. Mary e Max: uma amizade diferente

23. A menina e o cavalo

24. A mother’s courage: talking back to autism

25. Adam

26. Temple Grandin

27. Meu nome é Khan

28. Ocean Heaven

29. Um time especial

30. Tão forte, tão perto

31. Arthur e o infinito: um olhar sobre o autismo

32. White frog



REFERÊNCIAS


ESCOTEIROS, Jogos e Dinâmicas de Grupo: pessoa com deficiência da União dos Escoteiros do Brasil. Disponível em: <https://escoteiros.org.br/arquivos/inclusao/jogos_e_dinamicas_de_grupo_pessoa_com_deficiencia.pdf>.


MUNSTER, Mey Van. Atividades recreativas e deficiência: Perspectivas para a inclusão. 2010. Disponível em: <http://construireincluir.blogspot.com/2011/05/atividades-recreativas-e-deficiencia.html>.


SANTOS, Ivan. Recreação para Pessoas com Deficiência. 2016. CONRECRE. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=q9dgFzaivPY>.


SOUZA, Antônio Carlos Fernandes de; SOUZA, Elna Regina de; ARAÚJO, Otília Maria Miller de Souza. Alunos com e sem deficiência criam brincadeiras inclusivas para o ensino fundamental. 2017. Disponível em: <https://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/alunos-com-sem-deficiencia-criam-brincadeiras-inclusivas-ensino-fundamental/>.


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