RECREAÇÃO EM COLÔNIA DE FÉRIAS

Atualizado: 8 de Nov de 2019


BREVE HISTÓRIA

A história das Colônias de Férias está totalmente liga ao desenvolvimento industrial e às lutas trabalhistas em busca de melhores condições de vida. Sobretudo a partir da década de 30 surgiram na Europa, lideranças sindicais lutando por melhores salários e condições de trabalho, mas também para atender a outras necessidades do trabalhador (KARKLIS, 2008).


De acordo com Dumazedier na França dos anos 20 são criados os primeiros clubes trabalhistas e cita que “os albergues de la Jeusesse são criados em 1930 com sucesso” referiam-se então os operários ao lazer como alegria de viver e o sentido de sua dignidade (2001, p. 58). O direito as férias passam a serem tratados como uma necessidade do trabalhador e para a sua família. As Colônias de Férias surgem como a possibilidade de cooperação na obtenção de redução de custos, podendo ser considerado o uso delas dentro da modalidade de turismo social (KARKLIS, 2008).


Karklis (2008) relata que no Brasil, a primeira lei de incentivo ao lazer do trabalhador, foi criada pelo então presidente Getúlio Vargas em 1º de maio de 1943, que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalhador (CLT) através do decreto lei nº 5452.


A CLT ao tratar Da Contribuição Sindical, determina que a mesma deve ser recolhida pelos sindicatos anualmente, no valor de um dia de trabalho, bem como regulamenta o uso que os sindicatos podem fazer desta. Entre os onze itens definidos pelo Art. 592 do texto da CLT, que trata Da Aplicação da Contribuição Sindical, destaca-se alíneas referentes aos campo do lazer, passando, portanto, os sindicatos a terem obrigatoriamente na sua organização, a saber: “g) em colônias de férias.


A primeira Colônia de Férias no Brasil, de acordo com pesquisas, data do ano de 1934, no município de Guarujá, no litoral do Estado de São Paulo, na baixada santista, inaugurado pelos funcionários públicos desse mesmo estado. No ano de 1948 é inaugurada a primeira Colônia de Férias do sistema SESC no município de Bertioga, também no litoral paulista (KARKLIS, 2008).


No entanto, a grande explosão do surgimento de colônia de férias no Estado de São Paulo se dá entre os anos de 60 e 70 quando muitos sindicatos de trabalhadores receberam doações de terrenos feitos pelo governo militar notadamente nos municípios litorâneos de Praia Grande e Caraguatatuba (GONÇALVES JÚNIOR, 2002).


As colônias de férias ao longo dos anos vêm sendo transformadas de acordo com os pressupostos e objetivos das instituições que as organizam. Isso fica explícito ao fazermos uma análise do planejamento e da execução das mesmas (SILVA; BRETAS; CALDAS, S/D).


No Brasil, as colônias de férias surgem em um contexto higienista e militar onde a ordem e o patriotismo eram aspectos importantes para época. O campo da Educação Física cresce neste momento para auxiliar na formação de corpos sadios dos militares, a fim de garantir a defesa e representação da nação (SILVA; BRETAS; CALDAS, S/D).


A primeira colônia de férias no Brasil iniciou na década de 1930, no Forte de São João, atual Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, com o objetivo de manter a ordem através da ocupação do tempo dos filhos dos militares. (STEINHILBER. 1995).


Segundo Contursi (1983), algumas colônias também tiveram o objetivo de possibilitar o contato dos participantes com a natureza, como exemplo a Colônia de Férias da Associação Cristã de Moços (ACM). Devido à urbanização, várias crianças perderam o convívio com a natureza, a ACM, buscou resgatar os valores de respeito e cuidado com a mesma.


Alguns estudos comprovam esses ideais higienistas e militares e foram elaborados para auxiliar o trabalho neste campo. Malta (1973), em seu livro buscou sistematizar o processo de organização e execução das Colônias de Férias. Para o autor as colônias de férias eram uma possibilidade também de ascensão e incentivo para o crescimento do esporte brasileiro a partir da participação das crianças em “atividades recreativas, cívicas e desportivas, com a finalidade de estimular o gosto pelas atividades físicas, pelas noções básicas de civismo e o interesse por competições esportivas” (MALTA, 1973, p. 11). Parece que o conteúdo físico esportivo desde o surgimento das colônias foi o predominante nas programações.


Aos poucos as escolas particulares também assumiram a organização das colônias de férias que passaram a ser comercializadas com o principal objetivo de atender aos pais no período das férias ocupando o tempo de lazer dos filhos com pacotes prontos de atividades. Essa mudança ocorreu no contexto da colônia e do lazer como um todo, na medida em que o Brasil buscou com a modernização da sociedade, “uma organização progressiva do mercado de diversões”. (MELO; ALVES, 2012).


Estudos vêm questionando a organização das colônias de férias como resultado da indústria de entretenimento e ou como práticas funcionalistas. Silva (2012) confirma isso ao fazer uma proposta pedagógica de Colônias de Férias Temática que busca: Ampliar o envolvimento, a participação e a produção cultural, pelo acesso e reconhecimento de conteúdos culturais diversificados, pela construção de novas relações sociais e, fundamentalmente, pela vivência da dimensão estética e ética que, na maioria das vezes, estão ofuscadas no cotidiano (p.13). De acordo com a autora é possível humanizar as vivências de lazer nas colônias, a partir da mediação e não da reprodução das atividades planejadas.


No Brasil, uma das primeiras obras sobre esse assunto foi o livro “Colônia de Férias: organização e administração” do professor Jorge Steinhilber em 1995 pela Editora Sprint.


O professor Jorge Steinhilber nasceu na cidade de Praga, República Tcheca. Chegou ao Brasil em 1949. Estudou nos colégios Anglo Americano e Andrews. Formou-se em Educação Física na UFRJ, e é habilitado em Administração e Supervisão escolar pela UCB. Tem Mestrado em Motricidade Humana pela UCB e MPA em controle externo pela FGV.


Na área profissional, foi Professor de Educação Física no ensino público e privado; Técnico de voleibol de escolas e clubes; Implantou o Programa de Férias nas escolas públicas do Município do RJ; Promoveu os Jogos Escolares na Cidade do Rio de Janeiro de 1977 à 1990; Foi presidente da Associação dos Professores de Educação Física do Rio de Janeiro - APEF-Rio e Assessor de Educação Física da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro; É autor dos Livros: Colônia de Férias e Profissional de Educação Física... existe ?; É cevnauta pioneiro, administrador da lista de discussão e comunidade virtual cevapef, desde 1997; É Presidente do Conselho Federal de Educação Física CONFEF; Presidente da Academia Olímpica Brasileira.


O QUE SÃO COLÔNIAS DE FÉRIAS

Organizadas por clubes, escolas e outros espaços, as colônias de férias são opções para crianças, jovens e adolescentes aproveitarem o recesso escolar.


Depois de se esforçar muito e acabar o semestre com todas as notas azuis no boletim, nada melhor do que aproveitar as tão esperadas férias. Alguns aproveitam para visitar parentes e até viajar com a família. Apesar do que, muitos preferem mesmo é aproveitar para interagir com novos e antigos colegas, realizar atividades de recreação e ter contato com a natureza. Basicamente, a solução é ingressar em uma colônia de férias.


A partir de atividades programadas com caráter recreativo e esportivo, organizadas por pessoas qualificadas, os participantes recarregam as energias, além de se divertirem a valer.


Algumas Colônias de Férias, sobretudo aquelas montadas para crianças maiores, podem ser realizadas fora da cidade, em chácaras ou clubes campestres. Elas podem seguir o regime semi-integral e integral. Na primeira situação o participante fica sob a responsabilidade dos recreadores durante o dia, voltando para casa no fim da tarde ou a noite. Já no regime integral, os períodos se estendem por vários dias, sendo obrigatório a permanência no local todo o tempo.


MERCADO DE TRABALHO

As Colônias de Férias sempre existirão, pois os pais que matriculam seus filhos em uma Colônia de Férias têm objetivos sociais, culturais, além de esperarem que as crianças tenham experiências enriquecedoras, com atividades artísticas, físicas e educativas.


Há uma infinidade de formas para estabelecer um público-alvo para colônia de férias, entre elas temos: para filhos de funcionários (empresas e clubes); para grupos de crianças específicas (evangélicas, católicas, estrangeiras, com problemas de saúde); em instituições de ensino privadas (escola de educação infantil, ensino médio, escola de inglês); em instituições privadas (mercados, shopping, condomínios, companhia de energia elétrica, de água) entre tantas outras.


ORGANIZAÇÃO

Para o bom funcionamento da Colônia de Férias, o projeto deverá conter proposta educacional, contratar coordenadores que sejam experientes com o trabalho com crianças e adolescentes, verificar se o número de monitores é suficiente para atender a quantidade de crianças e adolescentes. Um grupo de crianças deve ter no mínimo 2 Recreadores (indiferente da quantidade mínima). Em média 2 recreadores para grupos de 25 até 30 crianças. Para crianças menores (dos 4 aos 5 ou 6 anos) no mínimo 3 Recreadores, pois elas dispersam mais rápido e nesse caso mais pessoas cuidando é sinônimo de maior segurança.


Estabelecer o número de refeições, planejar a alimentação de acordo com cardápios, alimentos perecíveis, custos da alimentação e escolha de fornecedores diante da qualidade de produtos. Verificar se há crianças com intolerância ou alergia a determinados tipos de alimentos. Uma dica é estabelecer alimentação balanceada com propriedades nutritivas.


Programar segurança e emergências de primeiros socorros. Enviar antes aos participantes uma ficha de avaliação para sabermos como eles estão de saúde, como é sua alimentação, se há alguma restrição para a prática de atividades físicas ou a algum tipo de alimentação.


Conferir cronograma de atividades, diversificando para que as atividades tenham caráter pedagógico, cultural e físico.


ESTRUTURA

A estrutura de uma Colônia de Férias vai variar de acordo com o tamanho do empreendimento e do planejamento de quantas crianças e jovens poderá receber. Além disso, é interessante planejar o que a Colônia de Férias poderá oferecer em serviços diferenciados.


A Colônia de Férias deverá contar com um local para recebimento das crianças para passeio, se não trabalhar na forma de internato, ou deverá também dispor de um local em que as crianças poderão participar de jogos recreativos e outras atividades.


O importante é que o lugar tenha espaço, chuveiros, área verde, campos de atividades físicas para esportes e para jogos ao ar livre, parques e outros.


ATIVIDADES

As Colônias de Férias podem atuar por conta própria com todos os estágios de produção ou terceirizar algumas etapas, como monitores, alimentação, uniformes e outros. As atividades desenvolvidas deverão ser: passeios à cinemas, zoológicos, trilhas ecológicas, jogos, gincanas, torneios e atividades artísticas como teatro e música.


Uma ideia é estabelecer equipes competitivas desde o primeiro dia e tudo que se fizer na Colônia de Férias estará gerando uma pontuação até que no final se obtenha a equipe vencedora.


Lembrando que os valores da Colônia de Férias podem ser voltados para colaboração, trabalho em equipe, organização e outros.


Para que o passeio seja bastante proveitoso para os participantes, uma série de atividades esportivas, recreativas e ecológicas são oferecidas. No âmbito esportivo, os participantes são convidados a participar de torneios, onde esportes coletivos aparecem no topo da preferência, como futebol, basquete, natação, entre outros. Nas atividades recreativas, gincanas, apresentações teatrais, jogos, brincadeiras, oficinas de desenho, pintura e dobradura, atrai a atenção de todos. Na área ecológica, trilhas e atividades ao ar livre são as preferidas.


Existem Colônias de Férias que, além de promover atividades para crianças, também convidam a família para um momento de interação diferenciado. Ele serve, principalmente, para fortalecer os vínculos. Esta é uma boa opção para quem busca se aproximar mais do filho ou participar, de alguma forma, das férias escolares.



REFERÊNCIAS

LINK: https://novonegocio.com.br/ideias-de-negocios/colonia-de-ferias/


LINK: https://www.estudokids.com.br/o-que-e-uma-colonia-de-ferias/


DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. Série Debates, Editora Perspectiva: São Paulo, 2001.


GONÇALVES JUNIOR, Luiz. Lazer no período da ditadura militar: o desvelar de depoimentos de sindicalistas da Grande São Paulo – Brasil. Revista Corpoconsciência, Santo André, n 10, p. 35-55, 2º semestre, 2002.


KARKLIS, Luís Roberto. Organização, estrutura e impactos das colônias de férias de trabalhadores: alguns estudos de caso. 120 f. 2008. (Dissertação) – Mestrado em Geografia Humana – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 2008.


STEINHILBER, Jorge. Colônia de férias: organização e administração. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1995.


MALTA, Wanceslau. Colônia de férias organização e execução. São Cristóvão: Editora Artenova s.a, 1973.


MELO, Victor Andrade de; ALVES JR. Edmundo de Drummond Alves. Introdução ao Lazer. 2º Edição. Barueri: Editrora Manole Ltda, 2012.


SILVA, Débora Alice Machado. Experiências com o lazer em colônias de férias temáticas. Campinas: Editora Alinea, 2012.


SILVA, Silvio Ricardo da; BRETAS, Poliana; CALDAS, Carolina Drumond Porto Carreiro. Colônia de férias: uma experiência de formação (S/D). Disponível em: file:///C:/Users/Secretaria%20BdN/Downloads/8245-36286-1-SM.pdf


CLIQUE EM - LISTA VIP - E RECEBA CONTEÚDO EXCLUSIVO NO E-MAIL


Professor Mestre Cleber Junior

0 visualização

Copyright Mestre Cleber Mena Leão Junior  |  Maringá, Paraná, Brasil  |  CEP: 87083-500