HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO RECREADOR PARA RECREAÇÃO HOTELEIRA


Resumo: este ensaio tem como objetivo apresentar algumas das características do recreador que trabalha em hotéis, além de apresentar as diferentes faixas etárias e populações. O intuito não é esgotar todas elas, mas apresentar um recorte, tendo em vista o espaço a ser desenvolvido no texto. Contudo, o fato é que as habilidades e competências para se atuar com recreação, na recreação hoteleira ou em outros segmentos, são desenvolvidas de diversas formas e ao longo do tempo.


Palavras-chave: Formação, Recreador, Habilidades, Competências


INTRODUÇÃO


Os hotéis enquanto locais em que pudesse haver manifestações recreativas e lúdicas surgiu em meados da década de 60 nos Estados Unidos, ao passo que a efetiva consolidação destes serviços em estabelecimentos nacionais aconteceu a partir do início da década de 90 (NEGRINE, BRADACZ e CARVALHO, 2001; TAHARA, 2004).


Contudo, a recreação em hotéis é um dos segmentos de atuação do recreador que há grandes oportunidades de atuação prática. Em vários hotéis a equipe e as atividades recreativas desenvolvidas são o carro chefe do hotel.


Pois os participantes, ou seja, os hóspedes desejam experiências divertidas, lúdicas e participativas durante o seu tempo livre de maneira prazerosa e significativa.


E quando falamos em hóspedes, não estamos especificando as crianças, mas todas as faixas etárias. Este ensaio tem como objetivo apresentar as características do recreador que trabalha em hotéis, além de, apresentar as diferentes faixas etárias e populações. O intuito não é esgotar todas elas, mas apresentar um recorte, tendo em vista o espaço a ser desenvolvido no texto.


Diante disso, a justificativa da escolha em refletir sobre as atividades para cada público alvo está diretamente ligada a superação das expectativas do mesmo, ou seja, se aplicarmos atividades que não condizem com a faixa etária, poderá haver frustração e não identificação das habilidades adquiridas com as habilidades necessárias para se desenvolver tal atividade.


Por isso, saber qual atividade é mais adequada ao público alvo, trará para você recreador, maior certeza de realizar uma atividades que gere prazer e ofereça estímulo aos participantes, gerando assim, experiências prazerosas aos mesmos.


HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO RECREADOR EM HOTEL


O recreador de hotel é o indivíduo que faz a elaboração e execução de atividades de entretenimento para animar os hóspedes, dentre elas, na piscina, em espaços fechados ou abertos, esportivas, festas, danças, jogos intelectivos, entre tantas outras. Na maioria das vezes é o hotel quem fornece os equipamentos e brindes muitas vezes distribuídos pelo recreador, em outros casos é a empresa de Recreação terceirizada. Cabe ao recreador administrar a agenda e todas as atividades de recreação infantil, recreação turística e recreação adulta.


O recreador em hotel, assim como todos os outros excelentes recreadores, necessita de algumas habilidades e competências para ganhar espaço no mercado (liderança, capacidade de inovar, criatividade, pró-atividade, comprometimento, alegria, dinamicidade, ser comunicativo, simpático, ético, solidário, organizado e responsável), além disso, precisamos de um diferencial importantíssimo, como amar o que fazemos, gostar de brincar e jogar, ter habilidade para trabalhar com pessoas de todas as idades e saber que trabalhará no momento em que os outros descansam e nesse caso em específico, nas férias, mais conhecidas como temporadas.


Se você parar e refletir a respeito do parágrafo anterior poderá pensar: “então eu tenho esse perfil? E agora! Eu não posso trabalhar com recreação em hotéis?”. Calma! Antes, precisamos entender sobre habilidades e competências (LEÃO JUNIOR, 2018a):


Habilidades são capacidades aprendidas, por meio de treinamento ou experiências, para obter um resultado desejado ou realizar funções de trabalho. Ela é adquirida por meio de um esforço para realizar atividades ou funções envolvendo ideias (habilidades cognitivas), coisas (habilidades técnicas) ou pessoas (habilidades interpessoais).


Competências são um conjunto de habilidades e conhecimentos relacionados que permitem que uma pessoa atue efetivamente em um trabalho ou situação. Uma competência é mais do que apenas conhecimento e habilidades. Envolve a capacidade de atender demandas complexas, recorrendo e mobilizando recursos, em contexto particulares. As competências, portanto, podem incorporar uma habilidade, mas são mais do que apenas ela.


O que quero deixar claro é que habilidades e competências podem ser adquiridas por meio de treinamentos, cursos, leituras, ensino superior ou até mesmo por meio da história de vida de cada um. Basta você querer, se dedicar, aprender e ser o melhor no que faz.


O mercado de trabalho já está saturado de recreadores “simplesmente práticos”, indivíduos que executam muito bem sua função, que executam e criam uma atividade recreativa, seguem com excelência o cronograma de atividades e as adaptam se necessário (LEÃO JUNIOR, 2018b). Isso é ruim? Claro que não! Isso de certa forma é bom, pois, um recreador que colabore com a execução das atividades é essencial para o bom andamento da programação em hotel.


Mas, sempre tem um: “mas”. O que pretendo refletir é o seguinte, não temos com um recreador entender de tudo isso citado anteriormente mas não entender o objeto principal de suas atividades que são: as pessoas. Cada pessoa tem suas necessidades físicas, cognitivas, sociais, motoras e psicológicas. Por isso, o próximo tópico, se bem estudado e absorvido por você recreador, lhe tornará um recreador com diferencial.





PARTICULARIDADES DAS FAIXAS ETÁRIAS X ATIVIDADES RECREATIVAS


O ser humano, em seu desenvolvimento, apresenta diferenças nas suas capacidades, sejam elas físicas, cognitivas, sociais, motoras e psicológicas. Assim, somente a partir de alguma fase da vida consegue realizar algumas atividades, que anteriormente não lhe eram possíveis.


Mesmo assim, pode-se entender que uma atividade recreativa não possui faixa etária, já que ela pode ser adaptada para qualquer momento da vida, desde que respeitados os limites de quem a executa. Abaixo apresentam-se algumas características que podem auxiliar na seleção de atividades para determinados grupos e idades.


Dentro do hotel trabalhamos com as diferentes faixas etárias e populações, para isso, segue as características e alguns tipos de atividades adequadas para cada faixa etária baseadas em Leão Junior (2018).


De 0 a 2 anos - Descoberta do tato, movimento, formas, texturas, sons. Começa a engatinhar e andar, melhoria da coordenação motora com movimentos exploratórios de abrir, fechar, empilhar, encaixar, puxar, empurrar, comunicação. Tipos de atividade adequadas: Brincadeiras referentes à educação sensório-motora (sentir/executar), exploração motora, canto, brincar de esconder e achar, brinquedos de encaixar, puxar, empurrar, abrir, fechar, reproduzir sons, móbiles coloridos e que se movimentam.


2 a 4 anos - Continuam as características anteriores; Fantasia e Invenção; Criatividade Tipos de atividades adequadas: Brincar sem regras ou poucas regras e bem simples, imitações conhecidas, formas básicas de movimentos, gosta de representar e de ser estimulada, proporcionar situações que desenvolvam os sentidos como: tato, visão e audição.


4 a 6 anos - Começa a aceitar regras e compreendê-las, apresenta maior atenção e concentração, interesse por números, letras, palavras e seus significados, o grupo começa a ter importância. Tipos de atividade adequadas: Trabalhar qualidades em que a criança possa explorar. Exemplos: manipulação do barro, trepar, saltar, atividades que tentem somar as atividades físicas. Brincadeiras com ou sem regras, atividades de muita movimentação.


6 a 8 anos - Boa discriminação visual e auditiva, atenção e memória, aceitam regras, convive bem com o grupo, começa definir seus próprios interesses, despertar da competitividade. Tipos de atividade adequadas: Nesta fase a criança tem muita energia física e aguenta até 3 horas seguidas de atividade. Brincadeiras, pequenos jogos, atividades em equipes, desafios e contestes, jogos pré-esportivos. Ex: nunca três, alerta, bola ao túnel.


8 a 10 anos - Capacidade de reflexão (entende consequências de atos), memória bem desenvolvida, raciocínio concreto e abstrato, o grupo é cada vez mais importante. Fase de competição entre as meninas e os meninos. Tipos de atividade adequadas: Brincadeiras, pequenos jogos, atividades em grupos, atividade de ação, atividade que envolva raciocínio, desafios, início das experiências, pré-esportivos. Ex: pular sela, queimada, mãe da rua, pega-pega.


10 a 12 anos - Excesso da disputa, separação dos sexos, meninas pré-púberes, meninos ainda infantis, necessidade de aceitação no grupo, necessidade de cooperação entre os sexos, isolam-se em grupos fechados (“panelinhas”). Tipos de atividade adequadas: Menor interesse pelas brincadeiras, pequenos jogos, grandes jogos com regras adaptadas, integração social, pré-desportivos e participação em campeonatos. Exemplos: bola ao guarda, estafetas, caça ao tesouro.


12 a 14 anos - Revalorização do sexo oposto, supervalorização da competição, falta de percepção dos limites sociais, necessidade de auto-afirmação, conflitos de personalidade, fase de muita vergonha e rebeldia. Tipos de atividade adequadas: Desvalorização das brincadeiras, pequenos jogos em grande escala, grandes jogos, atividades que demonstrem habilidades, pré-desportivos e esporte completo com regras. Ex: handebol, gincanas, futebol, jogos de estafetas. Utilizar-se de brincadeiras nas quais o grupo inteiro possa participar e procurar não responder com violência às suas atitudes. Gostam de atividades de aventura, vertigem, fantasia e competição.


14 aos 18 anos - Grande identificação com o sexo oposto, grande diferença de habilidades e força entre os sexos, aceitação e discussão das diferenças de habilidades entre os sexos, apresentam um pouco de necessidade de autoafirmação, desprezo pelas atividades físicas, valorização por atitudes culturais e sociais. Tipos de atividades adequadas: Esporte propriamente dito, gincanas com múltiplas dificuldades, grandes jogos, valorização por atividades juntos a natureza. Exemplo: torneios simples e rápidos, gincanas, jogos com grande apelo social (vôlei, futsal, e outros).


Idade adulta - Revalorização da atividade física, valorização da atividade lúdica, aceitação do sexo oposto nas atividades, supervalorização da estética, a atividade lúdica não serve somente para a prática de atividade física, e sim para lazer, dificuldade de se expor, dificuldade para se organizar, aceita a derrota e a vitória mais facilmente, prefere atividades lúdicas em grupos. Tipos de atividade adequados: Esportes, atividades em grupo, gincanas, jogos de salão, desafios culturais, modismos, cinema, teatro, shows, dança, festas, reuniões em grupos para bate-papo, atividades culturais, passeios e viagens em grupo.


Terceira Idade - Necessidade de integração social necessita e valoriza a atividade em grupo, necessidade de atividade física, necessidade de atividade lúdica, valoriza a atividade cultural, não sente dificuldade de se expor, valoriza mais a participação que o resultado, aceita a derrota com naturalidade. Tipos de atividade adequadas: Esportes e brincadeiras com adaptação à regra para facilitar de acordo com sua faixa etária, supervalorização de atividades recreativas com o grupo, atividades artesanais e manuais, passeios junto à natureza, viagens, turismo em geral. Ex: festas, danças, música, bocha, canto, cinema, jogo de baralho, bricolagem, atividades artesanais, trabalhos manuais e bingo. Observação: Não devemos nos esquecer das restrições físicas próprias da terceira idade, uma regra geral é usarmos bom senso em tudo aquilo que nos propomos a fazer.


Pessoas com Deficiência - São pessoas que diferem do resto devido a suas disfunções físicas, sensoriais, orgânicas ou mentais, que geram algum tipo de restrição para execução de atividades cotidianas. Tipos de atividade adequadas: Para estas, a recreação deve ser efetuada partindo do tipo de restrição apresentada. Independentemente se esta é física, orgânica, sensorial ou mental, o que deve ser levado em conta é aquilo que o indivíduo pode fazer, ou seja, quais são as potencialidades apresentadas. Diante disso, pode-se programar atividades que sejam passíveis de execução por estes, integrados aos demais. Todas as atividades aqui apresentadas são passíveis de realização, desde que respeitadas as condições de cada indivíduo e adaptadas as suas necessidades para realização.





CONSIDERAÇÕES FINAIS


O objetivo sempre é proporcionar aos hóspedes uma permanência tranquila, suprindo as suas necessidades e oferecendo experiências incríveis para todos os públicos, tais experiências aplicadas pelo recreador por meio das habilidades e competências desenvolvidas em sua formação.


Preencher o tempo livre do hóspede com atividades lúdicas, seja com esportes, brincadeiras ou mesmo atividades culturais e artesanais podem trazer o hóspede de volta ao estabelecimento em outras ocasiões, além de ser um diferencial nos serviços prestados, porém, nunca esquecendo da atividade certa para o público certo.


REFERÊNCIAS


LEÃO JUNIOR, Cleber Junior. Manual de jogos e brincadeiras: atividades recreativas para dentro e fora da escola. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2018.


LEÃO JUNIOR, Cleber Mena. 2018a. Quem pode trabalhar com recreação? Disponível em: <https://www.cleberjunior.com.br/post/quem-pode-trabalhar-com-recrea%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 12 nov. 2019.


LEÃO JUNIOR, Cleber Mena. 2018b. O porquê de ser um recreador? Disponível em: <https://www.cleberjunior.com.br/post/o-porque-de-ser-um-recreador>. Acesso em: 12 nov. 2019.


NEGRINE, A.; BRADACZ, L.; CARVALHO, P. Recreação na Hotelaria: o pensar e o fazer lúdico. Caxias do Sul: EDUCS, 2001.


TAHARA, A. K. Atividades recreativas em hotéis. In: SCHWARTZ, G. M. Atividades Recreativas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 56-71.




O Professor Doutorando em Educação Física e Mestre em Ensino Cleber Junior é Mentor de Recreadores com mais de 1 milhão de visualizações em seus vídeos no Youtube. Criador da 1ª formação online para o Recreador de Sucesso no Brasil e do curso online o Recreador do Futuro. Prêmio Melhor Produção de Conteúdo e Influência Digital. Cristão. 🚀 Te ensino o que ninguém te ensina sobre Recreação.

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