CRIANÇAS QUEREM CELULAR, PAIS QUEREM MOVIMENTO: O QUE FAZER NA RECREAÇÃO?
- Cleber Junior

- 1 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: 3 de mai.

Em muitos contextos atuais de recreação, especialmente com crianças, surge um cenário que desafia diretamente o profissional: de um lado, os pais solicitam atividades que incentivem o movimento corporal e reduzam o uso excessivo de telas; de outro, as próprias crianças demonstram forte interesse por celulares, jogos digitais e redes sociais.
Veja... essa tensão não é rara. Pelo contrário, ela representa uma das principais questões contemporâneas da atuação do recreador.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: afinal, qual é o caminho correto? Proibir o uso da tecnologia ou incorporá-la às atividades? A resposta, embora pareça simples à primeira vista, exige uma compreensão mais profunda sobre o papel do profissional da recreação.
O PROBLEMA NÃO É O CELULAR
Um erro comum na atuação prática é tratar o celular como o grande vilão da recreação. Ao adotar essa visão, muitos recreadores optam por proibir totalmente o uso da tecnologia, acreditando que isso, por si só, resolverá o problema.
No entanto, essa estratégia costuma gerar resistência por parte das crianças. Afinal, estamos lidando com uma geração que já cresceu inserida no ambiente digital, como diria Prensky (2010), os nativos digitais. Ignorar isso não elimina o problema — apenas dificulta o engajamento.
Por outro lado, há também o extremo oposto: liberar o uso do celular sem critérios. Nesse caso, o recreador perde o controle da proposta, e a atividade deixa de cumprir seu papel, tornando-se apenas mais um momento de consumo passivo de tecnologia.
Perceba que, em ambos os casos, o problema não está exatamente no celular.
O problema está na forma como a situação é conduzida.
RECREAÇÃO NÃO É APLICAÇÃO DE ATIVIDADES,
MAS É A MEDIAÇÃO DELAS
Para compreender melhor essa questão, é fundamental entender que a recreação não se resume à execução de jogos ou brincadeiras. Ela envolve um processo muito mais amplo, que exige planejamento, leitura do contexto, tomada de decisão e condução intencional.
Nesse sentido, o recreador não atua como alguém que simplesmente “aplica atividades”, mas como um mediador da experiência. Ser mediador significa estar entre diferentes interesses, interpretar as demandas do ambiente e construir soluções que façam sentido para todos os envolvidos.
No caso apresentado, isso implica considerar tanto a expectativa dos pais quanto o interesse das crianças — sem ignorar nenhum dos dois.
O PAPLE DO RECREADOR:
construir pontes, não escolher lados
Diante desse cenário, uma postura profissional mais adequada não é escolher entre movimento ou tecnologia, mas buscar formas de integrar esses elementos de maneira coerente.
O recreador precisa atuar como alguém capaz de construir pontes entre diferentes perspectivas. De um lado, temos a preocupação dos pais com saúde, desenvolvimento e redução do tempo de tela. De outro, temos crianças que encontram na tecnologia uma forma legítima de diversão, interação e expressão.
Ignorar qualquer um desses lados tende a comprometer a qualidade da experiência. Por isso, o desafio não é eliminar a tecnologia, mas ressignificá-la dentro da proposta recreativa.
PENSANDO A INTERVENÇÃO: POR ONDE COMEÇAR?
Ao planejar uma atividade nesse contexto, o recreador precisa ir além da escolha de jogos ou brincadeiras. É necessário pensar na lógica da intervenção.
Algumas perguntas podem orientar esse processo:
Como garantir que o corpo esteja em movimento durante a atividade?
De que forma a tecnologia pode ser utilizada como ferramenta, e não como fim?
Como promover participação ativa e interação entre os participantes?
Essas questões ajudam a deslocar o foco da atividade em si para a experiência que será construída. Neste link você pode entender um pouco mais sobre "Educar para e pelos os jogos eletrônicos".
TECNOLOGIA COMO MEIO, NÃO COMO PROTAGONISTA
Uma possibilidade interessante é utilizar o celular de forma estratégica, inserindo-o em dinâmicas que exigem movimento, cooperação e tomada de decisão.
Por exemplo, atividades como caça ao tesouro com pistas digitais, desafios em grupo que envolvem registro de imagens ou vídeos, ou mesmo missões que combinam deslocamento físico com tarefas criativas podem gerar alto nível de engajamento.
Nesses casos, a tecnologia deixa de ser o centro da atividade e passa a funcionar como um recurso dentro de uma proposta maior.
Isso permite atender, ao mesmo tempo, ao desejo das crianças por elementos digitais e à necessidade de movimento corporal valorizada pelos pais.
O QUE REALMENTE DIFERENCIA A ATUAÇÃO PROFISSIONAL
É importante destacar que não existe uma única atividade “correta” para esse tipo de situação. O que diferencia uma intervenção recreativa de qualidade não é apenas o tipo de atividade escolhida, mas a forma como ela é conduzida.
A mesma proposta pode ser superficial e desorganizada nas mãos de um profissional pouco atento, ou significativa e envolvente quando conduzida com intencionalidade.
É nesse ponto que se evidencia a importância da formação, do conhecimento e da capacidade de análise do recreador.
UM CONVITE À REFLEXÃO
Diante de tudo isso, vale retomar a questão inicial: o que fazer quando crianças querem tecnologia e pais querem movimento?
Mais do que buscar uma resposta pronta, talvez o mais importante seja compreender o raciocínio por trás da decisão.
Se você estivesse nessa situação, como organizaria sua intervenção?
Que tipo de atividade proporia?
Como equilibraria os diferentes interesses presentes?
De que forma conduziria o grupo para garantir participação e sentido na experiência?
Essas são perguntas fundamentais para quem deseja atuar de forma mais consciente e profissional na área da recreação.
REFERÊNCIAS

Cleber Junior é Doutor em Educação Física (UEM), com foco nos estudos da Recreação. Mestre em Ensino (UNESPAR). Especialista em Educação Física Escolar (PUCPR) e Educação: Métodos e Técnicas de Ensino (UTFPR). Graduado em Educação Física (PUCRS) e Pedagogia (FAPAN). Docente no Ensino Superior (UNICESUMAR e UNESPAR). Mentor de Empresas de Recreação e Recreadores. Palestrante do TEDx. No youtube estamos com o objetivo de chegas aos 100 mil inscritos no canal. Criador da 1ª formação online para o Recreador de Sucesso no Brasil; Criador do curso online para empresário da recreação "O Caminho da Recreação de Sucesso" e da formação profissional online para recreadores "Escola de Recreadores de Sucesso". Prêmio Melhor Produção de Conteúdo e Influência Digital. Cristão. Te Ensino o que ninguém e Ensina sobre Recreação. Transformo recreadores em profissionais de sucesso (financeiro e valorizado). Mais de 1.000 alunos em meus cursos com certificação. Siga @sourecreador





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