O QUE É RECREAÇÃO?

Atualizado: Fev 12



Recreação é uma atividade de lazer, sendo o lazer tempo discricionário.[1] A "necessidade de fazer algo para a recreação" é um elemento essencial da biologia humana e da psicologia.[2] As atividades recreativas são muitas vezes feitas para felicidade, diversão, passar o tempo ou prazer e são consideradas "divertimento".



Definição

O termo recreação é hoje passível de análise por muitas óticas diferenciadas. Para Uvinha (2008), "a recreação pode significar muitas coisas para muitas pessoas. É um palavra que é reconhecida em uso comum e ainda é raramente definida de forma clara. Para alguns, ela pode ser usada intercambiando com o conceito de lazer; para outros, ela tem conotação mais específica, definindo e distinguindo uma distinta área comportamental.


Aqui, optaremos por distinguir a recreação de maneira bem específica, como uma manifestação cultural que se caracteriza por divertir e entreter o indivíduo que dela participa. É, por essência, uma prática lúdica onde a participação busca ser prazerosa e produzir, no indivíduo ou na sociedade, um movimento de mudança positiva, de renovação, um revigorar da mente ou do corpo, ou ainda de ambos.


Em seus estudos, Silveira propõe que "uma vivência recreativa típica sugere ser conduzida ou promovida por um profissional especialista ou instituição recreativa, e pode ter objetivo puro de diversão e entretenimento, bastando-se em si mesma, assim como pode visar a um ganho adicional intelectual, social, emocional, terapêutico, físico, entre outros."


A prática recreativa não é algo que possa ser predefinida por um período do dia, por um tema ou por um local e não está relacionado a um fazer em específico. Está mais relacionado a uma motivação, ao que leva o indivíduo àquela prática ou vivência, assim como a abordagem lúdica e prazerosa no transcorrer destas. Na prática, o que para muitos pode ser trabalho, ou estudo, para outros pode ser recreação, por exemplo, para um músico profissional tocar um instrumento ou estudar partituras é trabalho. Este mesmo músico pode passar divertidas horas pescando e se recreando. Para um pescador profissional, por outro lado, pescar é trabalho, sendo que, talvez, tocar um instrumento ou estudar uma partitura é que possa garantir-lhe boas horas de recreação.


Para melhor compreender a recreação, talvez valha a pena entender melhor também os termos que, por afinidades, cercam esta área e se relacionam intensamente com ela.


História da Recreação

Segundo Gomes e Elizalde (2012),[3] a principal abordagem remete inevitavelmente aos Estados Unidos. Para compreender a recreação como um fenômeno social/educativo, é necessário retroceder ao final do século XIX, quando ocorreu uma ampla difusão do recreacionismo. Essa proposta propiciou a sistematização de conhecimentos e metodologias da intervenção para crianças, jovens e adultos. Esses conhecimentos fundamentam-se na sistemática da recreação dirigida, que fomentou a criação de espaços próprios para a prática de atividades recreativas consideradas saudáveis, higiênicas, moralmente válidas, produtivas e vinculadas à ideologia do progresso.


Baseando-se nos estudos de R. V. Russell, Salazar Salas salienta que a recreação foi constituída nos Estados Unidos a partir de duas frentes que promoviam o jogo para a população infantil e que foram crescendo e envolvendo os governos locais e nacional, assim como pessoas que formaram organizações, buscaram fundos e escreveram textos com o seguinte objetivo:


Educar as pessoas a usar positivamente seu tempo livre. A filosofia dessa época era ajudar as pessoas mais necessitadas e sem educação. É por isso que a filosofia e a missão original da recreação estadunidense se centraram em oferecer atividades que enriquecessem e melhorassem a qualidade de vida das pessoas participantes.


Uma dessas frentes foi caracterizada pela criação de Hull Houses, que eram casas comunitárias encarregadas de oferecer diversos serviços sociais: aulas, informações relacionadas aos direitos civis e ao trabalho, serviços de enfermagem e atividades recreativas baseadas no desenvolvimento de jogos para as crianças menores; esportes e clubes sociais para crianças e adolescentes; e programas culturais para as pessoas adultas. A autora ressalta que a primeira Hull House foi criada por Jane Addams e Ellen Starr, sendo a iniciativa desenvolvida em Chicago e tendo sido fundadas mais de 300 em outras cidades. Nessa época, os Estados Unidos passavam por um intenso processo de industrialização e de urbanização, havendo poucas áreas livres para o desenvolvimento de atividades recreativas.


A outra frente que constitui as origens da recreação norte-americana está relacionada com a criação de playgrounds (parques infantis), que, posteriormente, serviram como modelo para os centros de recreação, praças de esportes e jardins de recreio difundidos por vários países latino-americanos (Gomes e Elizalde, 2012).[4]


No Brasil

No Brasil, os registros do brasileiro Frederico Gaelzer, feitos nas primeiras décadas do século XX, são uma das evidências dessa afirmação. Com o apoio da Associação Cristã de Moços de Porto Alegre, Gaelzer passou um longo período nos Estados Unidos (1919-1925) se qualificando em educação física, esporte e recreação. No relatório escrito por Gaelzer e enviado aos diretores da ACM de sua cidade, com data de 16 de setembro de 1919, o autor destaca que os 800 participantes dos cursos ministrados pela ACM de Chicago estavam reunidos pacificamente sob o mesmo ideal. Os participantes desses encontros, segundo Gaelzer, eram de 25 nacionalidades diferentes, sendo todos possuidores da mesma moral pura e sã requerida pela ACM. Muitos desses 800 participantes deveriam ser latino-americanos, contribuindo de forma decisiva para a difusão da recreação por diversos países da América Latina. Obviamente, muitas práticas recreativas como os jogos e outras formas de diversão já existiam, mas, nesse momento, foram sistematizadas como parte integrante de um conceito de recreação elaborado nos Estados Unidos.[5]


É necessário esclarecer que, em suas origens norte-americanas, a recreação dirigida foi vista como uma estratégia educativa essencial para promover, sutilmente, o controle social. Nesse processo, foi amplamente difundida a ideia de que a recreação poderia preencher, racionalmente, o tempo vago ou ocioso com atividades consideradas úteis e saudáveis do ponto de vista físico, higiênico, moral e social. Com isto, a recreação foi considerada essencial para a formação de valores, hábitos e atitudes a serem consolidados, moralmente válidos e educativamente úteis para o progresso das sociedades modernas. Em um primeiro momento, o desenvolvimento de eventos, políticas, programas e projetos recreativos foi, e muitas vezes ainda continua sendo, direcionado principalmente aos grupos sociais em situação de risco ou de vulnerabilidade social, procurando a redução de conflitos sociais e da delinquência, a manutenção da paz e da harmonia social, assim como a ocupação positiva e produtiva do tempo ocioso.[6]


Além disso, muitos programas de recreação visavam preencher as horas vagas das crianças, jovens, adultos e idosos, colaborando com a constituição de corpos disciplinados, obedientes, aptos, produtivos e vigorosos. Nessa perspectiva a recreação, em muitas ocasiões, acaba sendo usada como estratégia para esquecer os problemas gerados pela lógica excludente que impera nas realidades latino-americanas. Por sua vez, as diversas acepções da palavra recreação são fundamentadas na área de pedagogia, psicologia e, sobretudo, na educação física. Essa última área, ao lado do esporte, é a mais associada à recreação, tanto na vida cotidiana como nos estudos, cursos, propostas da formação sobre o tema, campo de atuação profissional no setor privado, nas organizações de terceiro setor e também no âmbito das políticas públicas de vários países latino-americanos. [7]



Referências

CELEIRO. Recreação. disponível em <www.projetoceleiro.com.br> acesso em 10 jan 2012.


GOMES, Christianne; ELIZALDE, Rodrigo. Horizontes Latino-americanos do Lazer/Horizontes Latinoamericanos del ocio. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012. Disponível em http://grupootium.files.wordpress.com/2012/06/horizontes_latino_americanos_lazer_junho_20123.pdf**FREINET, Célestin. A educação do trabalho. 1ª ed. São Paulo-SP : Martins Fontes, 1998.


MARINHO, Alciane. A educação ao ar livre e o aprendizado sequencial: possibilidades de vivência na natureza, CONBRACE - Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, 13, Caxambu (MG), Anais... Caxambu, 2003, CD-ROM


MARINHO, Alciane. Atividades recreativas e Ecoturismo: a natureza como parceira no brincar, (capítulo de (1))


SCHWARTZ, Gisele Maria. Recreação e Lazer, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2004.


SILVEIRA, Ronaldo Tedesco. O profissional da Recreação. Recreação Magazine, ISSN 2179-572x, disponível em <www.recreacaomagazine.com.br>, acesso em 10 jan 2012.


UVINHA, Ricardo Ricci, Atividades Recreativas e Turismo: Uma relação de qualidade, (capítulo 2 de (1))



Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Recreação



O Professor Doutorando em Educação Física e Mestre em Ensino Cleber Junior é Mentor de Recreadores com mais de 1 milhão de visualizações em seus vídeos no Youtube. Criador da 1ª formação online para o Recreador de Sucesso no Brasil e do curso online o Recreador do Futuro. Prêmio Melhor Produção de Conteúdo e Influência Digital. Cristão. 🚀 Te ensino o que ninguém te ensina sobre Recreação.

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